Nota do Coletivo Polissemia contra o golpe

abril 21, 2016Renato Santos



Nós, do Coletivo Polissemia, organização de artistas independentes para a realização de obras audiovisuais, vimos a público para manifestar nosso repúdio à aprovação da abertura de processo de impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff pela Câmara dos Deputados no último dia 17. Seja pelo papel da arte na vida social ou a função política que um artista pode [ou deve] ter em nossa sociedade, faremos aqui apontamentos que consideramos de grande relevância.

A quebra da ordem constitucional por um Golpe de Estado parlamentar está diretamente ligada ao avanço de uma considerável onda conservadora. Tal movimento acarreta grandes perigos para a cultura nacional e os artistas, sobretudo aqueles artistas independentes, que não estão ligados à forças representadas pelo Estado/Governo, como é o nosso caso.

Os deputados que dedicaram seu voto “sim” à família, à tradição, a torturadores da ditadura etc. promovem nesse momento uma cruzada contra a liberdade de expressão. Seja pela cartelização dos meios de comunicação, pela perseguição por motivos morais, por leis repressivas, tudo isso se refletirá, inevitavelmente, nas criações artísticas. Um novo regime e governo erguido com o apoio das figuras mais atrozes da República será, inevitavelmente, inimigo daqueles que prezam pelo livre pensamento. Não por acaso, setores reacionários caluniam constantemente artistas que nesses últimos meses se posicionaram contra o golpe que assistimos há poucos dias. As ofensas ao cantor e compositor Chico Buarque meses atrás é apenas um de muitos exemplos. Vale ainda lembrar que o deputado Eduardo Cunha (PMDB) é um dos articuladores de leis que pretendem restringir a liberdade de expressão na internet.

Atualmente já se notícia na grande imprensa que um dos alvos de um futuro Governo Temer será o Ministério da Cultura (MinC), que seria fundido ao Ministério da Educação (MEC). Fala-se ainda no fim da Agência Nacional de Cinema (Ancine), o que representaria um enorme retrocesso para o audiovisual brasileiro. Para atender as finanças internacionais corta-se “gastos” e no topo desta lista sempre está a arte e a cultura.

Por fim, nos colocamos ao lado da população que nos últimos meses lutou contra o golpe. Acreditamos que os artistas devem estar ligados ao seu povo e suas lutas. Quando a população brasileira sai às ruas para lutar contra uma onda reacionária nós nos colocamos ao seu lado. Não por acaso há muitos coletivos de arte protestando e erguendo a bandeira “Não vai ter Golpe!”. Nós, por acreditarmos no papel político da arte e do artista nos somamos a essas manifestações e em defesa dos direitos democráticos e da liberdade de expressão, duas coisas tão fundamentais e que estão sob forte ameaça nesse momento. 

Guarulhos, 21 de abril de 2016

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